Conto Infantil - Pimpão e as Espigas
Obrigada pelos comentários que deixaram, ajudaram imenso!!
Aqui está a versão final, sujeita também a apreciação, uma vez que só será entregue no final da semana.
Venham as críticas, por favor!
;)
PIMPÃO E AS ESPIGAS
Era uma vez uma aldeia pequenina onde todos os habitantes tinham o cabelo branco. O nome dessa aldeia era São Espigudo.
Os aviões que por lá passavam até voavam baixinho para que os turistas pudessem apreciar aquele cenário. Parecia que a aldeia era habitada por cotonetes, porque as pessoas, além de terem o cabelo branco, eram também muito magrinhas. Nem podiam comer muito, coitadas, porque ficavam logo com a barriga muito inchada. Os habitantes mais velhos contavam até, nos dias de festa, a lenda do Micas Pança, um senhor que tentou comer três bagos de milho de uma só vez e ficou tão inchado que passou um mês inteirinho em greve de fome.
Mas a aldeia de São Espigudo não era igual às aldeias que conhecemos. Nesta aldeia não havia cores. Era tudo a preto e branco, como os filmes antigos. As casas, as roupas, as pessoas, as árvores, tudo cinzento ou preto ou branco.
Em São Espigudo também não havia nem televisões, nem rádios, nem postes de electricidade, nem Game Boys, nem Playstations, nem torradeiras, nem nada dessas coisas que todos temos em casa. As casinhas eram de palha com telhados em bico, uma para cada família.
Naquela aldeia, mesmo com uma vida diferente, todos viviam felizes. As famílias passavam o dia inteiro no milheiral, que é um grande campo de milho, a recolher as espigas, que usavam para trocar no mercado por alimentos ou utensílios para as suas casas. Esta era a principal ocupação dos habitantes da aldeia. Mas o milheiral também era cinzento, sem uma única pinta de cor.
Certo dia, quando a família Barraquinha andava no milheiral a recolher as espigas, o Pai Barraquinha queixou-se:
- Que aborrecido, esta vida toda a preto e branco... Os turistas que vêm cá visitar a aldeia acham tudo tão diferente. E falam das cores que conhecem, do vermelho, do azul, do verde... Eu até gostava de conhecer essas cores.
- É verdade, - comentou o vizinho do Senhor Barraquinha, o Senhor Bigodes, - nós somos felizes aqui, mas a aldeia podia ser mais animada.
De facto, todos os habitantes da aldeia pensavam que a sua vida precisava de mais cores. Já estavam fartos da vida aborrecida a preto e branco, com algum cinzento lá pelo meio. Ali nada mudava, ano após ano... Apenas conheciam as cores do mundo em que viviam. Os mais pequenos ainda tinham muito que aprender e não se preocupavam com a existência de outras cores, mas os mais velhos falavam entre si e comentavam que gostariam de conhecer coisas como o arco-íris, a cor do fogo, o cor do céu e do mar... Alguns já tinham ouvido uns turistas falar de vermelho, de violeta, de cor de laranja, mas ninguém sabia o que isso era.
- Tive uma ideia! – gritou de repente o Senhor Barraquinha. – Amanhã eu mesmo vou falar com o Rei e pedir-lhe que reúna os habitantes numa Assembleia para discutirmos este assunto.
- Sim, sim! – todos concordaram. – E vamos já avisar todos os vizinhos!
E assim foi. Na manhã seguinte, o Senhor Barraquinha dirigiu-se ao Palácio Real.
O Rei Buzinetim era o governante daquela aldeia. No entanto, ao contrário de muitos reis que conhecemos, inteligentes, sábios e atenciosos, o Rei Buzinetim era muito, mas mesmo muito, distraído. O que lhe valia era ser casado com a Rainha Marilili, que era uma senhora muito inteligente e simpática. A Rainha gostava muito de ajudar o seu povo e conhecia todos os habitantes pelo nome próprio. A Rainha gostava também de organizar festas e bailes para que as pessoas pudessem distrair-se do seu trabalho e divertir-se na companhia dos amigos.
- O que o traz por cá, Senhor Barraquinha? – perguntou a Rainha quando o viu.
- Barraquinha? – o Rei Buzinetim estava tão distraído que não tinha visto o Senhor Barraquinha a chegar. - Quer dizer, barraca! Barraca de circo! O circo vem à aldeia? Ainda bem! Eu gosto tanto dos palhaços!
Foi aqui que o Rei reparou que estava ali alguém.
- Ah! O senhor é que é o palhaço? Mas não está mascarado... – disse o Rei.
- Ora, Buzinetim, - respondeu a Rainha. – não vês que é o Senhor Barraquinha, que vive no largo do mercado. És mesmo distraído, ele não é nenhum palhaço! Mas diga lá, Senhor Barraquinha, porque veio falar connosco?
- Dona Rainha Marilili, os habitantes da aldeia gostavam de se reunir para discutirem o problema das cores. Todos pensam que, se a aldeia tivesse mais cor, tudo seria mais animado.
- Mas isso é uma óptima ideia, Senhor Barraquinha! E por acaso eu até tenho a solução ideal para esse problema! Mas é segredo! Diga a todos os habitantes para virem ao palácio no próximo sábado de manhãzinha!
- Ah! – exclamou o Rei, que tinha estado a dormitar. – No sábado é que vêm os palhaços?!
- Não, não vem nenhum palhaço, vem alguém ainda melhor! – respondeu a Rainha com ar misterioso.
Assim, no sábado de manhã, depois de a colheita de milho da semana estar arrumada nos armazéns, todos os habitantes se dirigiram ao Palácio Real e ocuparam os seus lugares no Salão Nobre. Depois de todos estarem sentados, o Rei Buzinetim e a Rainha Marilili tomaram também os seus lugares.
- Queridos habitantes de São Espigudo! – saudou a Rainha. - Ainda bem que todos puderam estar presentes. Tenho uma grande surpresa preparada para todos vós! Apresento-vos o Pintor Pimpão!
E surgiu um homem muito gordo, vestido com uma bata cheia de nódoas de tinta de várias cores (apesar de ninguém saber como se chamavam aquelas cores), com o cabelo preto aos caracóis todo no ar e um grande bigode, também preto, que lhe fazia o nariz muito pequenino. O Pintor Pimpão era muito conhecido porque pintava retratos maravilhosos e paisagens muito bonitas, usando sempre imensas cores.
Assim que o Pintor Pimpão subiu ao palco, ouviu-se um barulho muito forte e todos olharam pelas janelas. Os Reis tinha preparado um fogo de artifício em honra do Pintor. Mas o fogo de artifício em São Espigudo era bem diferente, era feito de pipocas. Os bagos de milho eram aquecidos numa caçarola no telhado do Palácio Real. Quando as pipocas rebentavam, os criados do Rei levantavam a tampa da caçarola para que as pipocas pudessem disparar no ar e deliciar os olhos (e estômagos...) dos meninos e das meninas, e também dos graúdos.
- Silêncio! – o Pintor Pimpão tinha-se levantado da cadeira com um grito e olhava para as pipocas branquinhas do fogo de artifício. – Caros amigos, assim que entrei na vossa aldeia percebi que a vossa vida poderia ser muito mais animada! E sinto-me muito lisonjeado por me terem convidado para dar cor às vossas casas, jardins e tudo o mais. Mas agora que reparei que as pipocas são tão brancas e sem graça, percebi finalmente a gravidade da situação! Vou começar já hoje a colorir as vossas vidas!
Todos os presentes aplaudiram muito, pois estavam muito entusiasmados com a ideia de conhecerem as cores de que tanto tinham ouvido falar.
O Pintor Pimpão chamou os seus ajudantes, que carregavam as tintas e os pincéis, e dirigiu-se então aos jardins do Palácio. O Rei Buzinetim e a Rainha Marilili seguiram-no.
- Caros Rei e Rainha, vou começar pelo vosso jardim, que é o maior e mais bonito da aldeia. O único problema é estar todo cinzento. Mas já vamos tratar disso. Ajudantes! – chamou o Pintor. – Enquanto eu pinto estas folhas de verde, vocês comecem pela relva, que vai ser verde, e pelas laranjas, que ficarão cor de laranja. Depois podem passar às maçãs, todas vermelhinhas.
E assim foi. Durante três semanas, o Pintor Pimpão e os seus ajudantes coloriram a aldeia toda. Entravam em casa das pessoas e ensinavam-lhes os nomes das cores. Depois perguntavam de que cor queriam as roupas, os tachos, as canecas, os pratos, e pintavam tudo de acordo com as preferências de cada um.
No final dessas três semanas, já toda a aldeia tinha cor e todos estavam muito felizes com aquela novidade. Só faltava pintar o mais importante, que era o milheiral. O Rei, a Rainha e todos os habitantes se tinham reunido ali para assistir às últimas pinceladas do Pintor Pimpão.
- Estou mesmo muito indeciso! – disse o Pintor Pimpão. – O milheiral é tão importante para vocês, não sei que cor hei-de utilizar. Por favor, afastem-se todos e deixem-me reflectir por uns momentos.
Já sozinho, ali mesmo à beirinha do milheiral, Pimpão pensou e pensou e pensou... Até que...
- Já sei! As folhas serão verdes! Quanto às espigas... Ainda não sei... O melhor é experimentar várias cores.
E o Pintor Pimpão avançou pelo milheiral, espalhando várias cores pelos bagos de milho. Uns ficaram vermelhos, outros verdes, outros cor-de-rosa, outros azuis.
- Só me falta o amarelo. – pensou Pimpão. - Sim, é isso! As espigas serão amarelas! Claro, a cor do sol que as faz crescer, a cor da alegria! E representarão assim o esforço e o trabalho de todos os habitantes, que tanto tempo dedicam a este milheiral!
E correu para junto do Rei, da Rainha e dos habitantes de São Espigudo para anunciar a grande decisão.
- Amigos! – exclamou Pimpão muito feliz. – O milheiral está pronto! As folhas verdes e os bagos de milho amarelos ficaram lindos! Espero que todos apreciem o meu trabalho.
- Fantástico, Senhor Pintor Pimpão! – disse a Rainha. – Estamos-lhe muito agradecidos! Quanto às espigas que pintou de outras cores, vamos usá-los na festa da aldeia, para o fogo de artifício em sua honra!
Mais tarde, naquele dia, os Reis ofereceram a toda a população um grande banquete e um baile. Todos se divertiram muito. E no final, os criados do Rei atiraram as espigas coloridas para a caçarola do telhado e um magnífico fogo de artifício surgiu, com pipocas azuis, verdes, vermelhas, cor-de-rosa e amarelas a saltar por todo o lado, deliciando mais uma vez os olhos (e estômagos...) dos habitantes de São Espigudo.
Como recordação daquela aventura, os Reis decidiram guardar no Salão Nobre do Palácio oito espigas, quatro cinzentas como as antigas, e quatro amarelinhas, pintadas de fresco. Assim, todos os que visitassem São Espigudo poderiam conhecer a história da aldeia cuja vida fora um dia a preto e branco.
A próxima vez que virem um vendedor de pipocas, perguntem-lhe se as pipocas coloridas foram pintadas à mão pelo Pintor Pimpão. Talvez ele ainda ande por aí, pintando retratos, paisagens e espigas de milho.
FIM
Aqui está a versão final, sujeita também a apreciação, uma vez que só será entregue no final da semana.
Venham as críticas, por favor!
;)
PIMPÃO E AS ESPIGAS
Era uma vez uma aldeia pequenina onde todos os habitantes tinham o cabelo branco. O nome dessa aldeia era São Espigudo.
Os aviões que por lá passavam até voavam baixinho para que os turistas pudessem apreciar aquele cenário. Parecia que a aldeia era habitada por cotonetes, porque as pessoas, além de terem o cabelo branco, eram também muito magrinhas. Nem podiam comer muito, coitadas, porque ficavam logo com a barriga muito inchada. Os habitantes mais velhos contavam até, nos dias de festa, a lenda do Micas Pança, um senhor que tentou comer três bagos de milho de uma só vez e ficou tão inchado que passou um mês inteirinho em greve de fome.
Mas a aldeia de São Espigudo não era igual às aldeias que conhecemos. Nesta aldeia não havia cores. Era tudo a preto e branco, como os filmes antigos. As casas, as roupas, as pessoas, as árvores, tudo cinzento ou preto ou branco.
Em São Espigudo também não havia nem televisões, nem rádios, nem postes de electricidade, nem Game Boys, nem Playstations, nem torradeiras, nem nada dessas coisas que todos temos em casa. As casinhas eram de palha com telhados em bico, uma para cada família.
Naquela aldeia, mesmo com uma vida diferente, todos viviam felizes. As famílias passavam o dia inteiro no milheiral, que é um grande campo de milho, a recolher as espigas, que usavam para trocar no mercado por alimentos ou utensílios para as suas casas. Esta era a principal ocupação dos habitantes da aldeia. Mas o milheiral também era cinzento, sem uma única pinta de cor.
Certo dia, quando a família Barraquinha andava no milheiral a recolher as espigas, o Pai Barraquinha queixou-se:
- Que aborrecido, esta vida toda a preto e branco... Os turistas que vêm cá visitar a aldeia acham tudo tão diferente. E falam das cores que conhecem, do vermelho, do azul, do verde... Eu até gostava de conhecer essas cores.
- É verdade, - comentou o vizinho do Senhor Barraquinha, o Senhor Bigodes, - nós somos felizes aqui, mas a aldeia podia ser mais animada.
De facto, todos os habitantes da aldeia pensavam que a sua vida precisava de mais cores. Já estavam fartos da vida aborrecida a preto e branco, com algum cinzento lá pelo meio. Ali nada mudava, ano após ano... Apenas conheciam as cores do mundo em que viviam. Os mais pequenos ainda tinham muito que aprender e não se preocupavam com a existência de outras cores, mas os mais velhos falavam entre si e comentavam que gostariam de conhecer coisas como o arco-íris, a cor do fogo, o cor do céu e do mar... Alguns já tinham ouvido uns turistas falar de vermelho, de violeta, de cor de laranja, mas ninguém sabia o que isso era.
- Tive uma ideia! – gritou de repente o Senhor Barraquinha. – Amanhã eu mesmo vou falar com o Rei e pedir-lhe que reúna os habitantes numa Assembleia para discutirmos este assunto.
- Sim, sim! – todos concordaram. – E vamos já avisar todos os vizinhos!
E assim foi. Na manhã seguinte, o Senhor Barraquinha dirigiu-se ao Palácio Real.
O Rei Buzinetim era o governante daquela aldeia. No entanto, ao contrário de muitos reis que conhecemos, inteligentes, sábios e atenciosos, o Rei Buzinetim era muito, mas mesmo muito, distraído. O que lhe valia era ser casado com a Rainha Marilili, que era uma senhora muito inteligente e simpática. A Rainha gostava muito de ajudar o seu povo e conhecia todos os habitantes pelo nome próprio. A Rainha gostava também de organizar festas e bailes para que as pessoas pudessem distrair-se do seu trabalho e divertir-se na companhia dos amigos.
- O que o traz por cá, Senhor Barraquinha? – perguntou a Rainha quando o viu.
- Barraquinha? – o Rei Buzinetim estava tão distraído que não tinha visto o Senhor Barraquinha a chegar. - Quer dizer, barraca! Barraca de circo! O circo vem à aldeia? Ainda bem! Eu gosto tanto dos palhaços!
Foi aqui que o Rei reparou que estava ali alguém.
- Ah! O senhor é que é o palhaço? Mas não está mascarado... – disse o Rei.
- Ora, Buzinetim, - respondeu a Rainha. – não vês que é o Senhor Barraquinha, que vive no largo do mercado. És mesmo distraído, ele não é nenhum palhaço! Mas diga lá, Senhor Barraquinha, porque veio falar connosco?
- Dona Rainha Marilili, os habitantes da aldeia gostavam de se reunir para discutirem o problema das cores. Todos pensam que, se a aldeia tivesse mais cor, tudo seria mais animado.
- Mas isso é uma óptima ideia, Senhor Barraquinha! E por acaso eu até tenho a solução ideal para esse problema! Mas é segredo! Diga a todos os habitantes para virem ao palácio no próximo sábado de manhãzinha!
- Ah! – exclamou o Rei, que tinha estado a dormitar. – No sábado é que vêm os palhaços?!
- Não, não vem nenhum palhaço, vem alguém ainda melhor! – respondeu a Rainha com ar misterioso.
Assim, no sábado de manhã, depois de a colheita de milho da semana estar arrumada nos armazéns, todos os habitantes se dirigiram ao Palácio Real e ocuparam os seus lugares no Salão Nobre. Depois de todos estarem sentados, o Rei Buzinetim e a Rainha Marilili tomaram também os seus lugares.
- Queridos habitantes de São Espigudo! – saudou a Rainha. - Ainda bem que todos puderam estar presentes. Tenho uma grande surpresa preparada para todos vós! Apresento-vos o Pintor Pimpão!
E surgiu um homem muito gordo, vestido com uma bata cheia de nódoas de tinta de várias cores (apesar de ninguém saber como se chamavam aquelas cores), com o cabelo preto aos caracóis todo no ar e um grande bigode, também preto, que lhe fazia o nariz muito pequenino. O Pintor Pimpão era muito conhecido porque pintava retratos maravilhosos e paisagens muito bonitas, usando sempre imensas cores.
Assim que o Pintor Pimpão subiu ao palco, ouviu-se um barulho muito forte e todos olharam pelas janelas. Os Reis tinha preparado um fogo de artifício em honra do Pintor. Mas o fogo de artifício em São Espigudo era bem diferente, era feito de pipocas. Os bagos de milho eram aquecidos numa caçarola no telhado do Palácio Real. Quando as pipocas rebentavam, os criados do Rei levantavam a tampa da caçarola para que as pipocas pudessem disparar no ar e deliciar os olhos (e estômagos...) dos meninos e das meninas, e também dos graúdos.
- Silêncio! – o Pintor Pimpão tinha-se levantado da cadeira com um grito e olhava para as pipocas branquinhas do fogo de artifício. – Caros amigos, assim que entrei na vossa aldeia percebi que a vossa vida poderia ser muito mais animada! E sinto-me muito lisonjeado por me terem convidado para dar cor às vossas casas, jardins e tudo o mais. Mas agora que reparei que as pipocas são tão brancas e sem graça, percebi finalmente a gravidade da situação! Vou começar já hoje a colorir as vossas vidas!
Todos os presentes aplaudiram muito, pois estavam muito entusiasmados com a ideia de conhecerem as cores de que tanto tinham ouvido falar.
O Pintor Pimpão chamou os seus ajudantes, que carregavam as tintas e os pincéis, e dirigiu-se então aos jardins do Palácio. O Rei Buzinetim e a Rainha Marilili seguiram-no.
- Caros Rei e Rainha, vou começar pelo vosso jardim, que é o maior e mais bonito da aldeia. O único problema é estar todo cinzento. Mas já vamos tratar disso. Ajudantes! – chamou o Pintor. – Enquanto eu pinto estas folhas de verde, vocês comecem pela relva, que vai ser verde, e pelas laranjas, que ficarão cor de laranja. Depois podem passar às maçãs, todas vermelhinhas.
E assim foi. Durante três semanas, o Pintor Pimpão e os seus ajudantes coloriram a aldeia toda. Entravam em casa das pessoas e ensinavam-lhes os nomes das cores. Depois perguntavam de que cor queriam as roupas, os tachos, as canecas, os pratos, e pintavam tudo de acordo com as preferências de cada um.
No final dessas três semanas, já toda a aldeia tinha cor e todos estavam muito felizes com aquela novidade. Só faltava pintar o mais importante, que era o milheiral. O Rei, a Rainha e todos os habitantes se tinham reunido ali para assistir às últimas pinceladas do Pintor Pimpão.
- Estou mesmo muito indeciso! – disse o Pintor Pimpão. – O milheiral é tão importante para vocês, não sei que cor hei-de utilizar. Por favor, afastem-se todos e deixem-me reflectir por uns momentos.
Já sozinho, ali mesmo à beirinha do milheiral, Pimpão pensou e pensou e pensou... Até que...
- Já sei! As folhas serão verdes! Quanto às espigas... Ainda não sei... O melhor é experimentar várias cores.
E o Pintor Pimpão avançou pelo milheiral, espalhando várias cores pelos bagos de milho. Uns ficaram vermelhos, outros verdes, outros cor-de-rosa, outros azuis.
- Só me falta o amarelo. – pensou Pimpão. - Sim, é isso! As espigas serão amarelas! Claro, a cor do sol que as faz crescer, a cor da alegria! E representarão assim o esforço e o trabalho de todos os habitantes, que tanto tempo dedicam a este milheiral!
E correu para junto do Rei, da Rainha e dos habitantes de São Espigudo para anunciar a grande decisão.
- Amigos! – exclamou Pimpão muito feliz. – O milheiral está pronto! As folhas verdes e os bagos de milho amarelos ficaram lindos! Espero que todos apreciem o meu trabalho.
- Fantástico, Senhor Pintor Pimpão! – disse a Rainha. – Estamos-lhe muito agradecidos! Quanto às espigas que pintou de outras cores, vamos usá-los na festa da aldeia, para o fogo de artifício em sua honra!
Mais tarde, naquele dia, os Reis ofereceram a toda a população um grande banquete e um baile. Todos se divertiram muito. E no final, os criados do Rei atiraram as espigas coloridas para a caçarola do telhado e um magnífico fogo de artifício surgiu, com pipocas azuis, verdes, vermelhas, cor-de-rosa e amarelas a saltar por todo o lado, deliciando mais uma vez os olhos (e estômagos...) dos habitantes de São Espigudo.
Como recordação daquela aventura, os Reis decidiram guardar no Salão Nobre do Palácio oito espigas, quatro cinzentas como as antigas, e quatro amarelinhas, pintadas de fresco. Assim, todos os que visitassem São Espigudo poderiam conhecer a história da aldeia cuja vida fora um dia a preto e branco.
A próxima vez que virem um vendedor de pipocas, perguntem-lhe se as pipocas coloridas foram pintadas à mão pelo Pintor Pimpão. Talvez ele ainda ande por aí, pintando retratos, paisagens e espigas de milho.
FIM

2 Comments:
Pergunta-se será a cor importante na nossa vida? Entao pensem em ver td a preto e branco e verao k n e assim tao divertida como se possa pensar...Só msm tu, pa te conseguires fazer 1 conto tao divertido semdo actual e em contrapartida, ter tanta fantasia!! Continua tens mt jeito com as palavras ao contrário de mim k n digo nd em termos como se comprova neste comment!! Só tu para dares cor a vida das pessoas k como eu gostam mt de ti!
tens jeitinho miuda, v~e lá se arranjas editor pra isso as criancinhas iam amar
vim só pra te deixar um beijinho
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